Pensamento inquieto: estudos sobre a filosofia de Santo Agostinho

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PENSAMENTO INQUIETO

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PENSAMENTO INQUIETO

ESTUDOS SOBRE A FILOSOFIA DE SANTO AGOSTINHO

Ricardo Evangelista Brandão

Diagramação: Marcelo Alves
Capa: Gabrielle do Carmo

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Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/deed.pt_BR

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

B817p Brandão, Ricardo Evangelista
Pensamento inquieto: estudos sobre a filosofia de Santo
Agostinho [recurso eletrônico] / Ricardo Evangelista Brandão. –
Cachoeirinha : Fi, 2025.
120p.

ISBN 978- 65-5272-215-7
DOI 10.22350/9786552722 157
Disponível em: http://www.editorafi.org

1. Filosofia – Santo Agostinho. I. Título.

CDU 141“Santo Agostinho”
Catalogação na publicação: Mônica Ballejo Canto – CRB 10/1023
O padrão ortográfico e o sistema de citações e referências
bibliográficas são prerrogativas de cada autor. Da mesma
forma, o conteúdo de cada capítulo é de inteira e
exclusiva responsabilidade de seu respectivo autor.

Aparência é a essência de nossa época – aparência de nossa política,
aparência de nossa moral, aparência a nossa religião, aparência a nossa
ciência. Quem diz a verdade atualmente é impertinente, “imoral” e quem é
imoral é amoral. Verdade é para a nossa época imoralidade.
Feuerbach (A Essência do Cristianismo).

LISTA DE ABREVIATURAS

Obras de Agostinho

Conf. Confissões
De beat. Vit. A Vida Feliz
De civ. Dei A Cidade de Deus Contra os Pagãos
De Gen. ad. litt. Comentário Literal ao Gênesis
De Gen. contra man. Sobre o Gênesis, Contra os Maniqueus
De Gen. ad. litt. Sobre o Gênesis ao pé da letra
De Gen. ad. litt. imp. Sobre o Gênesis ao pé da letra, inacabado
De inmort. Animae Sobre a Imortalidade da Alma
De lib. arb. O Livre-Arbítrio
De musica Sobre a Música
De nat. Boni A Natureza do Bem
De ord. Sobre a ordem
De Trin. Sobre a Trindade
De vera rel. Sobre a verdadeira religião
De Trin. A Trindade

Obras diversas

De ecc. pote. De ecclesiastica potestat (De Egídio Romano)
Metaf. Metafísica (De Aristóteles)
En. Tratado das Enéadas (De Plotino)
At. Livro de Atos dos Apóstolos (Bíblia)
Gn. Livro do Gênesis (Bíblia)
Jo. Evangelho de João (Bíblia)
Lc. Evangelho de Lucas (Bíblia)
Mt. Evangelho de Mateus (Bíblia)

SUMÁRIO

Introdução 11
1 15
Homem, corpo e alma: Natureza, Função, Paixões e Ações da Alma e do Corpo em
Santo Agostinho

1.1 Corpo e alma: Suas Naturezas na Filosofia de Santo Agostinho ……………………………………………………….. 17
1.1.1 A substancialidade e funções da alma e do corpo ……………………………………………………………………………. 24
1.2 A relação corpo e alma: As Paixões e Ações da Alma e do Corpo segundo Santo Agostinho …. 29
Considerações finais ……………………………………………………………………………………………………………….. …………………………… 36
Referências ……………………………………………………………………………………………………………….. …………………………………………….. 38
2 41
Santo Agostinho em Egí dio romano: interpretação acerca do uso de textos de Santo
Agostinho no de Ecclesiastica Potestate de Egídio Romano

2.1 Análise do argumento da superioridade da esfera espiritual baseado na comparação entre a
alma e o corpo ……………………………………………………………………………………………………………….. ……………………………………… 43

2.2 Argumento da supremacia do sumo pontífice baseado na hierarquia ontológica dos seres ….. 50
Considerações finais ……………………………………………………………………………………………………………….. …………………………… 56
Referências ……………………………………………………………………………………………………………….. …………………………………………….. 58
3 61
Por uma estética cosmoló gica agostiniana: a beleza na unidade e na totalidade no
cosmos em Santo Agostinho

3.1 A beleza na estrutura das criaturas ……………………………………………………………………………………………………………. 62
3.2 A beleza no cosmos holístico de Santo Agostinho ………………………………………………………………………………. 68
Referências ……………………………………………………………………………………………………………….. …………………………………………….. 77
4 81
A desordem na ordem: breves considerações acerca do conceito de ordem na
cosmologia de Santo Agostinho

Referências ……………………………………………………………………………………………………………….. …………………………………………….. 95
5 97
Sobre a justiça: Estudo sobre a influência aristotélico-ciceroniana no conceito de
justiça em Santo Agostinho

5.1 Breves considerações acerca do conceito de justiça no livro v da “Ética a nicômaco” de
Aristóteles ………………………………………………………………………………………………………………………………………………….. 97

5.2 O conceito de justiça no livro XIX da Cidade de Deus ……………………………………………………………………… 103
Referências ……………………………………………………………………………………………………………….. ………………………………………….. 116

Sobre o autor 119

INTRODUÇÃO

Como seres transitórios, temos que, pelas forças das
circunstâncias, alterar inúmeras vezes nossos planos para adequá- los
às novas rotas que a vida nos possibilita ou determina. De maneira que,
inquestionavelmente, podemos afirmar que somos seres
historicamente situados. Aurélio Agostinho, em sua volumosa obra,
demonstra que mesmo os filósofos, por mais geniais que sejam são
homens de seu tempo que tentaram, na medida de suas possibilidades,
dar respostas aos problemas de seu contexto histórico. A vida é
dinâmica, e esse dinamismo conduziu Agostinho a refletir sobre
inúmeros temas ao longo de sua vida, não exatamente para dar conta de
assuntos típicos filosóficos organizados academicamente, mas para
resolver intelectualmente questões nascidas de disputas de sua época.
De forma que, sem ter a pretensão de se assemelhar aos filósofos
clássicos, como eles, o hiponense refletiu sobre uma grande variedade
de temas, que nesse opúsculo damos uma modesta amostra.
Esse pequeno livro, que escolhemos como título: PENSAMENTO
INQUIETO: estudos sobre a filosofia de Santo Agostinho, trata- se de
uma coletânea de cinco estudos sobre temas diversos acerca das
reflexões filosófico-teológicas de Santo Agostinho. Esses estudos foram
escritos há alguns anos, e alguns deles foram publicados em revistas
científicas ou como capitulo de livro, sendo nesse momento revisados,
atualizados e reunidos nessa publicação na intenção de facilitar o acesso
dos leitores ao pensamento desse importante ícone do pensamento
ocidental.

12 • Pensamento inquieto: estudos sobre a filosofia de Santo Agostinho
No primeiro estudo, investiga-se a complexa relação entre alma e
corpo na formação do homem segundo Agostinho, considerando três
influências basilares no assunto, notadamente o debate com os
maniqueus, as reflexões neoplatônicas de Plotino e a Teologia Cristã.
No segundo capítulo, na esteira do agostinismo político,
analisamos como o teólogo Egídio Romano, em sua obra De ecclesiastica
potestate, utilizou o pensamento antropológico de Santo Agostinho para
justificar a sua tese hierocratista. Ou seja, Agostinho, devido à sua
influência neoplatônica e cristã, insiste na subordinação da esfera
material em relação à espiritual, contudo, até que ponto essa
compreensão poderia ser interpretada como sujeição do poder secular
ao religioso, como compreendeu Egídio Romano?
No terceiro estudo, aborda- se a teoria do belo, mas
particularmente a beleza sensível presente na natureza. Analisa- se a
harmonia enquanto a melhor expressão do belo manifesta
diversamente no cosmos, de maneira que nesse estudo destacamos
como elemento norteador o debate do pensador cristão com os
discípulos de Mani e a influência das Enéadas de Plotino.
O quarto capítulo dedica-se a uma análise sobre um destacado
aspecto da cosmologia agostiniana, o conceito de ordem. Nessa
pesquisa, se investigou — tomando por fonte principal o diálogo De
ordine — a complexa organização da natureza com suas inúmeras leis
que mantêm o equilíbrio da criação, e, portanto, exige um ordenador
que arquitetou inteligentemente a ordem do cosmo.
No último capítulo, intitulado “SOBRE A JUSTIÇA: estudo sobre a
influência aristotélico-ciceroniana no conceito de justiça em Santo
Agostinho”, começando com a análise do conceito de justiça nos livros
“Política” e “Ética a Nicômaco” de Aristóteles, se investiga de que forma
na “De civitate Dei” Agostinho por meio de leituras de Cícero reformulou,

Ricardo Evangelista Brandã o • 13
atualizou e aplicou o conceito de justiça da tradição aristotélico-
ciceroniana.
Por fim, nenhum desses estudos tem a pretensão de serem
exaustivos e conclusivos sobre as questões tratadas, mas somente uma
contribuição para os estudiosos e leitores do pensamento de Santo
Agostinho.
Boa leitura!

1
HOMEM, CORPO E ALMA:
NATUREZA, FUNÇÃO, PAIXÕES E AÇÕES DA
ALMA E DO CORPO EM SANTO AGOSTINHO
1

[…] porque na vida deles tudo é provisório, tudo precário, tudo passa sem
remédio, os deuses, os homens, o que foi, acabou já, o que é, não será sempre,
e até eu, morte, acabarei quando não tiver mais a quem matar.
José Saramago, As Intermitências da Morte.
Costuma-se, apressadamente, afirmar que a compreensão de
Agostinho acerca da relação corpo e alma não passa de uma acomodação
da concepção de Platão à teologia bíblica cristã. Logo, segundo os que
assim entendem, o Pensador Cristão incorporou ao seu pensamento a
ideia de corpo como cárcere da alma
2
e da alma como…

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